GARRETT MCNAMARA É UM CIDADÃO DO MUNDO.
Percorre a terra como um homem comum, mas o que ele faz no oceano é tudo menos normal.
Numa altura em que o surf de ondas grandes atingiu novos picos de popularidade, vários surfistas ganharam projecção. Mas nenhum deles consegue ultrapassar a combinação de talento, coragem e sede do desconhecido de McNamara. Nos últimos dez anos, a missão de McNamara tem sido apanhar as maiores, melhores ondas do planeta e tem sido imensamente bem sucedido.
Garrett é, provavelmente, o mais dedicado explorador dos mares em todo o mundo. Podemos colocá-lo em qualquer situação dentro de água e ele não só está pronto para ir, como está sempre cheio de garra! Olhando para trás surgem vários episódios marcantes: sobreviver a um tubo monstruoso em Jaws no Inverno de 2003, deixando todos incrédulos; ser uma das duas únicas pessoas a surfar ondas tsunami criadas pelo degelo dos glaciares do Alaska no Verão de 2007 (e muito provavelmente o último!); ter sido o surfista que esteve mais “deep” nos tubos de Teahupoo, sobrevivendo aos terríveis wipe outs derivados da sua performance. A lista continua, desde fazer Stand Up Paddle em Maverick até ganhar quase todas as competições de Tow-in e prémios de grandes ondas. O percurso de Garrett Moore McNamara até à realidade em que agora vive começou bem longe do mar em Pittsfield, Massachusetts.

OS PRIMEIROS ANOS
Garrett nasceu em Pittsfield, Massachusetts, no Verão de 1967. A sua inclinação por desafios perigosos manifestou-se desde cedo. Aos 11 meses, saltou sozinho da sua cadeira que estava em cima do balcão da cozinha. Sobreviveu à queda com apenas um galo na cabeça, mas este acontecimento marcou as suas tendências de futuro. Trinta anos depois e Garrett aventura-se a saltar de precipícios de cinquenta pés de altura.
Em 1978, a família de Garrett mudou-se para a costa norte do Hawaii e o surf foi como uma força que se apoderou da sua vida. O seu irmão, Liam, foi o primeiro a revelar-se como um talento natural, um dos melhores de todos os tempos em Pipeline e Rocky Point. Garrett andava ocupado à procura de grandes ondulações em Sunset, Waimea e recifes exteriores. Aos 17 anos, Garrett entrou e classificou-se na prestigiada Hawaiian Triple Crown Series – a sua primeira experiência no surf profissional. Os dois irmãos começaram a atrair a atenção de grandes patrocinadores e assinaram contratos com uma série de importantes marcas no Japão. Passaram os dez anos seguintes no circuito de competição, a viajar, e aprenderam a falar japonês fluentemente. Foi a concretização de um sonho para ambos.

O CHAMAMENTO
A vida era boa e confortável, mas Garrett tinha outras ambições. No início dos anos 90 um caminho alternativo surgiu como que por magia, quando os barcos e mais tarde os Personal Water Craft começaram a permitir aos surfistas partir em busca de ondas gigantes que se julgavam impossíveis, muito para além do que alcançavam os surfistas apenas a remar. Tow Surfing era exactamente o que Garrett queria: acção sem parar, proporcionando adrenalina em quantidades que o mundo do surf não podia imaginar.
No Verão de 2002, Garrett tinha dois grandes objectivos: ganhar o Eddie Aikau Invitational e ganhar o Tow Surfing World Cup em Jaws. Durante o Inverno de 2002/2003, teve de tomar uma decisão difícil, pois os campeonatos Eddie e Tow aconteceram no mesmo dia. Garrett teve de escolher e a História indica que o fez sabiamente. Voou para Maui para se encontrar com o seu parceiro Rodrigo Resende. A competir na modalidade de 70-foot surf, Garrett e Resende venceram a competição e ganharam a bolsa de 70.000 dólares, que ainda hoje é a maior bolsa alguma vez ganha num evento de surf. O objectivo foi conquistado e começou aqui a sua nova vida. Garrett provou que não tinha tido apenas sorte ao escolher a prova mundial de tow-in em Teahupoo, onde apanhou um tubo que fez a capa da maioria das revistas de surf de todo o mundo.
Ainda não contente com o feito, Garrett continuou esticar os seus limites. Em 2003 percorreu um monstro em Jaws. Uncle Dane atirou Garrett para a primeira onda do set – uma onda que desafiou cada segundo da sua experiência como surfista. Garrett estava na base a olhar para cima e a pensar que seria esta a grande onda que ele tinha andado à espera, um tubo de 20’, quando esta se abateu sobre ele. Ele deveria ter sido esmagado. Mas, para espanto de todos, ele emergiu numa chama de glória como uma foca engolida por um tubarão gigante que escapa milagrosamente. Desde então, o tubo monstruoso de Garrett nunca foi ultrapassado.
Garrett está em casa no oceano. Por várias vezes foi abençoado e atribui toda a glória a Deus.

A PROCURA
No Verão de 2007, Garrett e o seu parceiro Keali’I Mamala abriram ainda mais os horizontes. Viajando para um dos climas mais inóspitos do mundo, os dois surfistas de ondas grandes foram até à costa sul central do Alasca na expectativa de surfar ondas de tsunami provocadas pelo degelo dos glaciares. Está neste momento em produção um filme sobre a sua experiência.
Mas como seria de esperar, Garrett não se deixou ficar por aqui. Nos últimos anos tem-se dedicado a um novo desafio – o Stand Up Paddle. E, sendo Garrett como é, deu já o seu cunho bem pessoal a este desporto emergente, levando o Stand Up Paddle a picos monstruosos e locais de grandes ondas como Waimea, Puerto Escondido e mesmo Maverick. Em Junho de 2009, a International Surfing Association convidou Garrett a competir no World Stand Up Paddle Surfing Championship. Garrett foi um dos 32 watermen de elite convidados para participar no evento.
Continua na sua missão de explorar os oceanos de todo o mundo na expectativa das melhores e maiores ondas que a Mãe Natureza tem para oferecer. Em 2010 Garrett descobriu o fenómeno geográfico “Canhão da Nazaré”, na costa de Portugal. Estas são as maiores ondas que Garrett descobriu até à data e nos próximos três anos continuará a trabalhar com a autarquia num projecto.

